
O espírito do Evangelho ensina que Jesus ama a verdade de cada estação da vida humana. É por isto que Ele amaldiçoou a figueira que de modo anômalo tentava dar aparência de fruto três meses antes da estação própria.
Todas as demais figueiras estavam peladas. E a figueira é uma árvore que primeiro apresenta os frutos, e só depois a folhagem.
A oferta de folhagem era a promessa da certeza de haver fruto. Mas não havia; era só camuflagem.
Nenhuma figueira nua foi amaldiçoada no monte das Oliveiras, mas apenas aquela. E a razão é simples: aquela figueira carrega o valor simbólico de algo primordial: a tentativa humana de se cobrir com folhas de figueiras ao invés de se deixar cobrir pelo próprio Deus, e, assim, viver em verdade.
De fato, as folhagens da figueira expressavam a realidade espiritual de Israel, cheio de religião, Templo, porém sem fruto digno de arrependimento.
A lição da figueira é forte. Sim, porque está dito que Deus respeita todas as estações da vida, posto que mesmo quando aparentemente não há fruto, é porque o fruto está em gestação; portanto, sempre há fruto.
Mas quando se tenta dar aparência de frutuosidade, não havendo verdade —pois o fruto do ser é verdade—, a própria tentativa de produzir o que não é verdade já é, em-si, a maldição. Esse ser seca.
A verdade é verdade quando é estação de fruto e quando não é estação de fruto. Posto que a verdade é o que é. E Deus ama a todo aquele que não teme ser verdadeiro para com Ele.
NEle, que ama o que é, e não tem prazer em quem não somos,
Caio
0 comentários:
Postar um comentário